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Após farras e hit de novela, Jamie Cullum sossegou: 'Prazeres da vida são muito menores'

Por Redação

01/12/2021 às 08:23:01 - Atualizado há
Cantor de jazz pop fala ao g1 sobre tempos em que era chamado de 'Sinatra de tênis' e explica por que gravou 24 músicas natalinas. 'Quando eu hitei' relembra artistas que sumiram. Quando eu Hitei: Jamie Cullum, o 'Sinatra de Tênis' agora curte cantar músicas de Natal

Jamie Cullum já pensou em desistir da música. Ele não se achava tão talentoso assim... Mas, nos anos 2000, esse carinha de cabelo bagunçado e 1,64 m de altura foi a maior aposta do jazz pop.

Ele lotou ginásios no Brasil, tocou em festivais onde artistas do jazz não passavam perto e teve até música bombando em novela. “Mind trick” estava na trilha de “Belíssima”, exibida entre 2005 e 2006.

Hoje, aos 42 anos, Jamie tem duas filhas e é casado com a escritora e modelo Sophie Dahl. Uma foto dos dois abraçados em um carro estampa a capa do álbum “The Pianoman at Christmas”. O disco mais recente é recheado com canções natalinas compostas por ele.

Na série semanal "Quando eu hitei", artistas do pop relembram como foi o auge e contam como estão agora. São nomes que você talvez não se lembre, mas quando ouve a música pensa “aaaah, isso tocou muito”. Leia mais textos da série e veja vídeos ao final desta reportagem.

O cantor inglês Jamie Cullum em imagem de divulgação do programa na rádio BBC2

Reprodução/Facebook do cantor

Várias das músicas do início de carreira foram feitas para celebrar a vida de um garotão de vinte e poucos anos, incluídas em álbuns como "Twentysomething", de 2003. Mas como é ter quarenta e poucos?

"Tenho duas crianças agora, que têm oito e dez anos. Eu sempre falo para eles... eles ficam pensando muito em como será a vida quando eles forem mais velhos. E acham que vai ser muito diferente quando, na verdade, de muitas formas você já se sente o mesmo há muito tempo", diz ele ao g1.

"Então, eu não me sinto tão diferente de quando eu tinha 20 anos, mas acho que sou muito mais realista sobre o que a vida vale para você. Tive a sorte de conseguir mais do que os meus sonhos, acho que percebi agora que os prazeres da vida são muito menores."

"Você acha que seus prazeres da vida serão esses grandes momentos. E, na verdade, são as pequenas coisas e os detalhes que contam. De certa forma, tudo fica melhor, porque você percebe que não se trata de ir para a lua. Às vezes, é só sobre ir para o jardim."

Jamie Cullum no começo dos anos 2000 e em foto recente

Divulgação/Facebook do cantor

Antes de sossegar, Jamie fez muita farra, como no clipe de “Mind Trick” (veja trechos no vídeo acima). Por causa da novela, a música fez muito mais sucesso aqui no Brasil do que em outros lugares. Para o cantor, ela tem "vida própria" no Brasil.

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A música do álbum "Catching Tales" foi escrita por ele com o irmão, Ben Cullum. Os dois estavam pensando no Brasil: Jamie namorou por quatro anos a advogada curitibana Isabella Cannel, com quem passou "carnavais maravilhosos" no Brasil.

"Quando compus estava pensando como é quando coisas terríveis podem estar acontecendo em sua vida, mas se a canção é a certa, se a música é certa, então ela pode mudar todo o seu humor. É uma forma imatura de ver o mundo", reconhece.

O cantor inglês Jamie Cullum

Divulgação/Facebook do artista

Ele lembra que se divertiu muito com o irmão escrevendo a música. "Começamos tipo meio-dia e nós tínhamos apenas um groove, tínhamos a bateria, os teclados e não sabíamos sobre o que seria a música", recorda.

Foi aí que eles resolveram dar um pulinho no pub da esquina em que eles moravam em Londres. "Comemos um pouco e bebemos alguns drinques durante o dia, uma coisa que não costumo fazer. Voltamos talvez umas quatro ou cinco horas da tarde e já tínhamos um rumo, foi bem direto."

"Então, foi depois de algumas bebidas e um pouco de comida que percebemos que a música é a resposta para os problemas da vida. Pode não ser verdade, mas naquele momento era."

O cantor inglês Jamie Cullum

Divulgação/Facebook do artista

Quando ele veio ao Brasil pela primeira vez, em 2006, Jamie fez questão de cantar “Dindi”, do Tom Jobim. E cantou em português mesmo, depois de decorar a letra com a ajuda da então namorada.

"Eu me lembro desse show. Eu lembro de aprender com muito cuidado o português para 'Dindi' e agora me lembro de muito pouco da letra. Mas eu lembro de treinar, e de tentar acertar e da alegria do público quando eles me viram cantando no meu português muito fraco."

De Rihanna a Radiohead

Durante aquelas turnês nos anos 2000, Jamie Cullum também ficou conhecido por tocar muitas covers. E era um repertório que ia de Rihanna a Radiohead, mas também tinha standards do jazz e de musicais (veja trechos no vídeo do topo).

Capa do single 'Get your way', de Jamie Cullum

Reprodução

"Eu sempre ouvia música um pouco como os jovens ouvem música agora. Na internet, você sabe que surgem essas conexões surreais. Eu sempre fui assim: um ouvinte curioso de música quando adolescente. Antes da internet, eu ia para minha biblioteca e pegava discos com capas legais, sejam eles de rock progressivo, jazz ou heavy metal ou clássico."

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Ele garante que nunca fez covers tão diferentes umas das outras para "parecer inteligente" ou para "dar algum recado".

"Eu ouvia uma música como 'Don't Stop the Music', da Rihanna, e notava que não era apenas uma música pop, tinha uma ótima estrutura. Eu adorava como ela tinha sido criada... da mesma maneira que amava Radiohead, Cole Porter, Jimi Hendrix. É o jeito que minha cabeça funciona. E ainda é assim."

Então, é Natal

Jamie Cullum e a esposa Sophie Dahl na capa do álbum 'The Pianoman at Christmas'

Reprodução

Em um álbum de covers lançado em 2018, “The Song Society”, ele incluiu músicas de Ed Sheeran, Justin Bieber, Bruno Mars e uma conhecida na voz da Mariah Carey, “All I Want for Christmas is you”.

Tocar e cantar esse sucesso natalino o fez ver a paixão que tinha pelas músicas feitas para as festas de fim de ano. Ele notou que grandes ídolos dele, como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Tony Bennett e Ray Charles já tinham se dedicado a álbuns só com músicas sobre o Natal.

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Daí, ele empolgou. Foram 13 músicas natalinas lançadas no fim de 2020. E mais 11 músicas no fim de 2021.

"Eu sou um grande fã de Jack White, do The White Stripes, de qualquer coisa que ele faça. Ele fala muito da liberdade que a limitação te dá, sobre quando você se limita… escrever canções de Natal é assim: você fica muito limitado sobre o que você pode escrever. Você tem uma paleta de sons e imagens. E neste álbum 'The Piano Man at Christmas', eu acho que me surpreendi por escrever algumas das minhas canções favoritas que já escrevi."

Capa da edição especial do álbum 'Twentysomething' (2003), de Jamie Cullum

Reprodução

Se o objetivo hoje é fazer grandes canções natalinas, 20 anos atrás a ambição era outra. Jamie convivia com o insistente rótulo de "Sinatra de Tênis" e viveu por muito tempo com o peso de ser o cara que renovaria o público do jazz.

"Eu achava que eu não era bom o suficiente na música, porque no meu círculo eu estava muito ciente do quão talentosos tantos músicos de jazz eram, mas com públicos muito pequenos", reflete. "Acho que por misturar o meu jazz com o pop e ser um 'pacote apresentável', eu tive muito apoio promocional atrás de mim de uma gravadora... e acho que nas primeiras entrevistas costumava falar sobre como eu não era igual a muitos músicos de jazz que tinham um público menor. E essa foi uma coisa com o qual eu lidava, e fazia eu me sentir vulnerável por isso."

"Eu estava viajando por todo o mundo, não fui para minha casa por três anos. Eu era jovem, por muito tempo não tinha uma namorada. Eu não tive muito tempo para me preocupar. Eu estava ocupado tocando ou indo para algum lugar divertido, mas essa vulnerabilidade sobre minha musicalidade é algo que eu sempre carreguei comigo."

Jamie Cullum toca em São Paulo em 2011 no festival Natura Nós

Raul Zito/G1

O tom de lamento, e até certo arrependimento, faz surgir a pergunta: mas você teria feito algo diferente?

"Acho que adoraria ter estudado muito antes", responde, sem pensar muito. "Estou estudando agora e estive estudando nos últimos dois anos com um professor de música para aprender mais sobre a mecânica da teoria musical e da música clássica, harmonias de jazz."

"Adoraria ter feito isso antes, porque acho que eu seria melhor agora. Mas a verdade é que estou apenas gostando disso. Não é... não estou fazendo isso para tocar acordes melhores ou algo assim. Eu estou fazendo isso porque me alimenta e estou com fome."

Fonte: G1
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